29 de junho de 2014

Quando desaparece uma parte de nós...

Desaparece, inevitavelmente, uma parte daquilo que nós somos. Não faço a menor ideia do que será perder um filho, porque não sou mãe. Mas sei que vai contra todas as leis da natureza, um filho morrer antes de um pai ou de uma mãe. É anti-natural, vai contra tudo o que é suposto e deve deixar qualquer pessoa a questionar as coisas mais banais e que tantas vezes damos como certas na nossa vida.
Quando me falam em filhos, tenho sempre uma posição defensiva e que muitos, podem até achar fria. A verdade é que não sinto qualquer vontade de os ter, falam-me do relógio biológico e eu acho que o meu, ou deve estar sem pilhas ou então nasci sem ele. Dizem-me que é da idade, no entanto oiço pessoas da mesma faixa etária a mostrar desejo em ter um filho, pessoas mais novas a falarem sobre o assunto... Comigo, isso não se passa. Gosto imenso de bebés, sou louca por crianças e geralmente, sinto que a maioria delas desenvolve facilmente uma grande simpatia comigo, e eu com elas. Contudo, não sinto aquela coisa de ter um filho. Não sinto que, nos dias que correm, o mundo seja um lugar fabuloso e repleto de coisas boas, pronto a brindar-nos com felicidade. Talvez seja uma visão pessimista e egoísta da minha parte, mas é exactamente o que penso.
Um filho é um ser que, invariavelmente, vai sempre depender de nós. É uma criatura à qual devemos amor eterno, carinho, devoção, respeito e protecção. É uma pessoa que nos vai mostrar que o amor é muito para além do que conhecemos. Suponho que vá muito para além do amor que temos pelos nossos pais, irmãos ou avós, não terá certamente nada a ver com o amor que sentimos pela pessoa com quem dividimos a vida, muito menos com o amor que sentimos pelos nossos amigos. Um filho é amor da cabeça aos pés, é a nossa pele, o nosso sangue, a nossa carne! E perder isso deve ser a maior e pior luta que alguém terá que travar na sua vida. Deve ser uma dor impensável, desmedida e imensurável... Capaz de nos corroer e nos matar lentamente, a pouco e pouco, todos os dias.

RIP André Sousa Bessa.

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